Quem foi São Cipriano

Olá, pessoal! Em primeiro lugar, muito obrigado a todos que estão me auxiliando na pesquisa da minha monografia!

Eu já recebi os primeiros Formulários de Não-Moradores da cidade e as respostas de alguns me deixaram surpresa. A maioria não sabe quem foi São Cipriano – no máximo, conhece ele do tal ‘Livro de São Cipriano’ que ficou famoso nos anos 90 entre a galerinha trevosa das escolas.

Quem mora aqui geralmente já toma esse conhecimento como certo, então achei que seria importante fazer um post sobre ele.

Antes de mais nada, é preciso saber que existem DOIS São Ciprianos. Um deles é São Cipriano de Catargo. Conhecido como grande orador e nomeado bispo de Catargo, foi levado à julgamento por Roma e condenado à morte. Mas não é sobre ele que iremos falar aqui, mas sim sobre São Cipriano da Antioquia – esta figura tão controversa que é o padroeiro de nossa cidade.

São Cipriano nasceu por volta do ano 250 na Antioquia. Nesta época, o cristianismo ainda não era muito difundido e ele cresceu pelos ditames da civilização fenícia que controlava a região. Seus pais teriam sido muito ricos, o que permitiu que ele estudasse magia e tivesse recursos para viajar para aperfeiçoar seus conhecimentos e poderes.

Por volta de 280 ele teria chegado na Babilônia e conhecido uma jovem donzela rica chamada Justina. Ela foi criada numa família semita de caldeus, mas converteu-se ao cristianismo. Disposta a preservar sua virgindade, recusou o casamento com um homem chamado Áglede; e este, inconformado, pediu ajuda de Cipriano para enfeitiçar a jovem.

Mesmo sendo um bruxo poderoso, capaz de conjurar sortilégios e invocar demônios, Justina conseguiu se defender com sua fé e orações. Desiludido e reconhecendo o poder de Deus como superior ao da sua magia, Cipriano converteu-se e queimou todos os seus livros de bruxaria, além de doar toda a sua fortuna aos pobres.

No ano de 304, quem reinava em Roma era o imperador Dioclesiano. Ele teria ordenado que todos os convertidos – incluindo Justina e Cipriano – fossem capturados e torturados para renegar a fé cristã. Eles foram trazidos até a Nicomédia, onde sofreram com açoites e até mergulhados em um caldeirão de óleo fervente, mas não cederam. Um feiticeiro chamado Atanásio, antigo discípulo de Cipriano, comentou com os interrogadores romanos que as torturas não surtiam efeito porque o seu antigo mestre usava feitiçaria para proteger a si mesmo e Justina.

Querendo se provar maior que seu antigo professor, Atanásio conjurou feitiços e jogou-se no caldeirão fervendo. Mas acabou morrendo queimado, ao contrário de Cipriano e Justina, que permaneciam vivos.

Por fim, os dois cristãos foram condenados à morte e decapitados às margens do rio Galo, junto com outro mártir chamado Teotiso. Seus corpos foram expostos ao público como aviso, até que um grupo de cristãos os recolheu e os levou para Roma, sob os cuidados de uma senhora chamada Rufina. Quando o imperador Constantino subiu ao poder, os restos mortais dos mártires foram enterrados na Basílica de São João de Latrão.

Dito isso… o que a igreja católica pensa a respeito deste santo?

Identidade Dupla? Lenda? Farsa?

Histórias tão antigas sempre erguem as sobrancelhas de muitos, sobretudo daqueles que tentam estudar a história dos primeiros cristãos.

Como já comentei sobre o bispo de Catargo, que tinha o mesmo nome do santo padroeiro de nossa cidade, muitos acreditam que pode ser o caso dos dois serem a mesma pessoa. Talvez essa história mais ‘proibida’, sobre seu passado como feiticeiro, tenha sido algo que a igreja católica tentou desvencilhar de um de seus primeiros bispos e acabou criando um ‘segundo’ Cipriano para receber esta fama.

Alguns dizem que ele sequer existiu. Que é apenas uma lenda bonitinha para mostrar que ‘até os bruxos podem se converter’ ou algo do tipo. Uma constatação surpreendente, vinda de uma instituição que leva quase qualquer registro oral como prova de seus mártires e santos.

Hoje, a posição da igreja católica sobre este santo é discreta, para dizer o mínimo. Pouco se fala sobre ele e seu passado (como uma família levemente homofóbica que não rejeita o seu parente gay, mas prefere que ele não se assuma na frente de todo mundo). Quase como se ele fosse um ‘São Longuinho’ da vida: uma anedota que não se leva a sério, mas também não se nega que pode ter um fundo de verdade.

Seja como for, o mártir João que fundou a cidade em seu nome levava a existência dele bem a sério. O suficiente para irritar a igreja e ser condenado à (hoje não-oficial) primeira e única execução pela Santa Inquisição no Brasil.

O Livro de São Cipriano

Também conhecido como ‘Capa Preta’ ou ‘Tesouro do Feiticeiro’, o livro de São Cipriano é razoavelmente notório aqui no Brasil e em outros países católicos. Mas sobre a veracidade dele… bem, vamos começar pelo elefante na sala: São Cipriano não teria queimado todos os seus escritos de bruxaria quando foi convertido?

Alguns defendem que talvez não tenham sido seus sortilégios que foram queimados quando ele se converteu e que ele os escondeu bem guardados. Alguns dizem que, mesmo queimando seus feitiços, isso não quer dizer que ele se esqueceu deles – e poderia tê-los reescritos rapidamente durante seu tempo de prisão, antes de ser martirizado.

Mas a verdade é que esse livro que circula por aí certamente não foi escrito por ele.

Segundo meu primo mais velho e ex-gótico, o livro que andava de mão em mão pela galera nas escolas nos anos 80 e 90 era um compilado de fórmulas e simpatias bobas registrada por autores anônimos diversos. Algumas que até a minha avó seguia e, no geral, eram bem inofensivas – contanto que ninguém inventasse de fazer ‘poção do amor’ pra por no copo de ninguém na escola; não porque funcionava, mas porque o alvo poderia ficar doente e o ‘bruxo’ ia tomar uma suspensão!

Eu espero que este post tenha explicado pelo menos o básico sobre a história deste santo. E por favor, continuem me mandando os formulários! Está sendo bem legal ver a visão da galera de fora sobre a nossa cidade.

Monografia – Pesquisa Parte 1

Minha monografia tá assim no momento, em branco! *pânico*

Olá, pessoal!

Bem, agora começou! Tive minha primeira reunião com os professores a respeito da minha monografia hoje. Ô medinho, hehehe!

Pelo menos já defini o nome dela: Entre o Fato e o ‘Causo’.

O objetivo da pesquisa desta monografia é a coleta tanto de fatos históricos como de lendas urbanas que permeiam a história de uma região (no caso, a cidade de São Cipriano) e entender onde um começa e outro termina. E onde ambos podem se mesclar, na ausência de provas concretas que possam definir se a história contada é verdade ou não.

E para esta primeira parte, queria pedir a ajuda de vocês.

Embora eu saiba que os leitores deste blog são, em sua maioria, pessoas que já moram na cidade (muitos sendo o próprio pessoal da faculdade) eu queria que vocês me fizessem um favor. Procurem por amigos e conhecidos de fora da cidade e mandem para eles o “Formulário de Não-Residentes” que eu estou preparando com algumas perguntas. Se vocês frequentam fóruns, Facebook ou ainda tem suas contas ativas no Orkut, tentem pescar um pessoal por lá também.

E para vocês que já moram na cidade, mandem pra mim histórias que vocês têm ouvido por aí. Eu sei de muitas, mas com certeza não sei nem um décimo delas. Ah, e fotos, se vocês puderem!

Para contato, peguem meu e-mail: leilacarol@fainsc.com.br – vou aproveitar e mandar o formulário para quem entrar em contato comigo por lá.

É isso! Até o próximo post!

A História do Bairro da Guilda

Na era medieval, as guildas de mercadores começaram a surgir para restaurar o comércio na Europa após a queda das grandes rotas comerciais que foram destruídas com as constantes guerras e cruzadas que chacoalharam a região entre a antiguidade e a idade média.

Tratava-se de instituições que ensinavam, protegiam, organizavam e defendiam os interesses dos trabalhadores da época, como sapateiros, ferreiros, oleiros, alfaiates, etc. Em uma era onde indústrias ainda não existiam, estes eram os grupos mais coesos e que reuniam a maior quantidade de profissionais que trabalhavam em um tipo específico de ofício. Por este motivo, algumas guildas costumavam ser bem poderosas. Principalmente dentro dos burgos.

No Brasil, devido à sua origem como colônia, o desenvolvimento de qualquer tipo de ofício que não fosse o puro extrativismo para envio de matéria-prima para a capital era visto como subversivo e passível de punição pela coroa portuguesa. Porém, em São Cipriano, havia uma pequena guilda conhecida como Escudo de São Homobono, disfarçada como uma simples congregação religiosa que comungava pelo santo padroeiro dos comerciantes. E esta surgiu em 1801.

A ideia da guilda partiu de Mateus Boa Morte, descendente de uma das famílias quatrocentonas paulistanas que chegou em São Cipriano aos 19 anos, em 1798. Desencantando com os rumos do país, sobretudo com a eterna imobilidade intelectual forçada devido às restrições de Portugal, o rapaz decidiu ir para o então estado de “Goyaz” para tentar construir seu próprio nome – cujo sobrenome original ele já havia abandonado, baseado numa última conversa que teve com seu pai: “Que você, ao menos, tenha uma boa morte!” ele teria lhe dito. No meio do caminho, ele encontrou a cidade de São Cipriano.

Vendo o clima mais permissivo da região, que havia aprendido com anos de prática a evadir-se dos olhares perigosos da coroa portuguesa, ele começou a financiar os comerciantes locais. Aproveitando o contrabando de livros pela universidade secreta do local, ele auxiliou a entrada de antigos tomos que ensinavam sobre os ofícios – que já não eram tão secretos assim, uma vez que a Europa já estava abandonando o esquema de guilda de mercadores.

Escudo de São Homobono

O disfarce de instituição religiosa foi convincente o suficiente e assim os trabalhos da guilda se iniciaram oficialmente em 1801.

Junto com a confecção de alguns poucos produtos de vestuário feitos sob encomenda, pequenas máquinas têxtis começavam a trabalhar nos porões das casas. Estes produtos eram vendidos e transportados de forma secreta para outras cidades, longe dos olhares da coroa portuguesa e seus impostos sob a colônia. Sem falar em grandes caldeiras que começaram a ser construídas para a manufatura de grande quantidade de utensílios de metal – e cuja fumaça era disfarçada por simples queimadas.

Os mascates que permitiam este transporte discreto destes produtos eram os freis do Convento do Mártir João de São Cipriano. Viajando por todo o país pregando a fé cristã, eles eram acompanhados por um mercador – disfarçado como um simples condutor de charrete – que fazia os negócios nas cidades próximas, vendendo produtos de qualidade diferenciada. isso também ajudava a evitar os salteadores de estrada, pois estes pensavam duas vezes antes de atacar um grupo de freis – sobretudo porque acreditavam que eles não carregavam nada de valor.

Várias destas carroças, portando o símbolo de São Homobono, começaram a sair por aí. E caso alguém ligado às autoridades começasse a questionar estas linhas de comércio clandestinas, os freis eram muito bem treinados na lábia para dispensar a maioria dos guardas; em penúltimo caso, ofereciam suborno, em último… bem, vamos falar disso em outro post!

De Guilda para Clube

Quando a coroa portuguesa teve que sair fugida de Portugal, obrigando-se a afrouxar seus duros mandatos sob a liberdade comercial e educacional no Brasil, os comerciantes de São Cipriano não precisaram mais ficar escondidos. E assim as duas primeiras fábricas da cidade, a Companhia Têxtil São Homobono e a Fábrica de Ferro Líquido Romãzeira, puderam ser oficializadas em 1829 e 1831 respectivamente – esta última, propriedade de Mateus Boa Morte e sua esposa, Inês Romãzeira Boa Morte.

Com o tempo, as capitais estaduais começaram a voltar a ganhar o protagonismo financeiro através de incentivos diversos. Mesmo assim, foi tempo suficiente para que a cidade de São Cipriano pudesse garantir um bom dinheiro em caixa para estruturar sua zona urbana e reformar suas igrejas, convento e mosteiro.

No início do século XX, a guilda não tinha mais necessidade de existir e mudou de nome para Clube Escudo de São Homobono, destinado às famílias dos membros originais da guilda. Hoje, o clube é um pouco mais acessível, mas o título de sócio lá ainda é meio caro (a mãe de um colega meu da faculdade me ofereceu o dela por 10 mil reais, oxi!).

Mas até agora não falamos do bairro em si, não é?

O ‘Queijo Suíço’ da Cidade

Pela sua natureza secreta, a guilda não tinha um local fixo; com exceção do antigo prédio do Escudo de São Homobono que era apenas um chamariz.

Cada uma das casas do entorno era um pedaço da guilda, com suas máquinas e mercadorias secretas em seus porões. E para que os donos destas casas pudessem transitar com certa tranquilidade, sobretudo quando membros da guarda real começavam a fazer viagens pelas cidades, vistoriando as coisas, eles construíram sistemas de túneis.

A escavação começou por volta de 1805, sendo o primeiro pedaço um corredor baixo e estreito que unia a casa de Matheus Boa Morte à da família Romãzeira, distante cerca de sessenta metros. A origem do túnel, inicialmente, não foi por motivos comerciais, mas sim porque Inês e Matheus já estavam apaixonados e a família queria que a filha seguisse o caminho do monastério. Porém, percebendo que os túneis poderiam ser úteis para abrigar pessoas e mercadorias – e vendo que não teriam como separar os ‘pombinhos’ – a própria família Romãzeira começou a incentivar a expansão destes túneis para as casas de outros colegas comerciantes.

Aos poucos, a região começou a ganhar vários destes túneis, ao ponto que alguns problemas de infraestrutura começaram. As escavações se encerraram em 1823, mas muitas passagens e salas amplas de estocagem continuaram a ser usadas por um tempo.

Se você mora em São Cipriano, deve saber que, além do fato de comprar ou alugar uma casa nesta área ser MUITO CARO, futuros proprietários precisam de uma permissão especial da prefeitura para fazer reformas, sobretudo se forem escavar o solo. Afinal, até hoje, estes túneis ainda existem (alguns selados) e mexer com eles pode abalar severamente a estrutura não só das casas, mas como de ruas inteiras!

E como não podia deixar de ser, estes túneis possuem histórias fantásticas – algumas horripilantes! Fica para próximos posts.

A História da “Vila” de Piedade

Quem é de São Cipriano aponta o bairro de Piedade – ou Freguesia da Piedade – como sendo a periferia do município. O local onde se encontra a população mais pobre de uma cidade com uma distribuição de renda per capita mais homogênea que a média das outras no país.

E embora muitos avanços já tenham sido feitos no local – em termos de mobilidade, segurança e saneamento básico em 100% da região – o bairro ainda parece ser a área mais estigmatizada da cidade. Por quê?

Em parte, porque este local demorou para ser parte da jurisdição de São Cipriano. Entretanto, vamos contar a sua história do começo:

Como já visto na história do Mártir João, ele foi acusado de heresia e queimado na fogueira. Após a ocorrência de (supostos) milagres no mesmo dia de sua morte e da revolta do povo, o Santo Ofício teve que repensar a ordem de desfazer a vila de São Cipriano. E o local que eles escolheram para fazer a sua pequena reunião foi em uma choupana improvisada na região que hoje é a Freguesia da Piedade.

Os relatos dizem que foi uma discussão acalorada, onde alguns membros ainda queriam acatar as ordens da inquisição de desfazer a vila herege. Outros queriam oferecer a ela o perdão total. Por fim, a decisão pela segunda proposta foi escolhida após o inquisidor que ordenou a morte de Frei João suicidar-se enforcado em uma árvore, arrependendo-se de ter matado um homem beato.

Naquele dia, o Santo Ofício ofereceu o perdão à vila. E no local onde o inquisidor suicidou-se, foi erigida a capela de Santo Ambrósio de Sena, o padroeiro do perdão e da reconciliação.

É dito que muitos membros da inquisição acabaram desistindo deste ofício sangrento e decidiram ficar na vila – alguns sob o pretexto de verificar se o local realmente merecia o perdão da santa igreja e vigiá-la pelos anos que se seguiriam. Pelo menos três dos homens ficaram na cidade e estes tiveram família. Um deles foi Gião das Dores e que acabou se tornando uma figura conhecida e respeitada naquela região.

A cisma entre a Freguesia da Piedade e São Cipriano ocorreu por volta de 1840. Uma das relíquias sagradas guardadas no Convento dos Freis do Mártir João de São Cipriano desapareceu. Os dois padres principais da cidade, o da igreja matriz e o da igreja de Ambrósio de Sena, começaram a se acusar mutuamente pelo crime.

Por fim, o monsenhor do convento achou melhor deixar o conflito esfriar e apenas limitou-se a dizer: “a relíquia voltará para seu devido lugar um dia, pelas mãos de um homem bom”. Apesar da atitude neutra diante de um roubo de algo tão valioso, era claro que o monsenhor estava do lado do padre da igreja matriz. Isso gerou uma onda de fofocas e hostilidades entre o restante dos habitantes da cidade e os da Freguesia da Piedade.

Foi nessa época que o lugar praticamente declarou ‘independência’ de São Cipriano. Separada do resto da cidade pelo Sítio Figueira do Sol (hoje, conhecido como o bairro Figueira do Sol), eles acabaram traçando uma linha entre os territórios e se autoproclamaram Vila de Piedade.

O primeiro alcaide da vila foi Carlos das Dores, descendente de um dos inquisidores antigos e que usou o discurso de que, embora a santidade do Mártir João não devesse ser contestada, a cidade de São Cipriano era indigna e impura de um verdadeiro povo santo. E que eles, os habitantes da recém-fundada vila, seriam o verdadeiro povo de Deus merecedor daquela terra.

Durante muitas décadas a cisma entre as duas regiões se manteve. E o povo de Piedade era proibido moralmente de se encontrar com os ímpios de São Cipriano. Mas um leve contato entre as duas paróquias ainda precisava ser mantido por questões eclesiásticas legais.

O fim da vila rebelde começou quando, por volta de 1895, a suposta relíquia foi recuperada e devolvida, comprovando que o antigo padre da igreja de Santo Ambrósio de Sena é que havia sido o ladrão. Houve até boatos que a antiga igreja sob os cuidados do larápio deveria ser demolida em represália, mas por um questão (ironicamente) de piedade, a ação não foi executada. E ela existe até hoje no bairro, assim como seu antigo cemitério.

Antes da chegada do século XX, quando a república já estava instituída no Brasil, todas as cidades precisavam mandar reportes sobre seus territórios e população. Obviamente, São Cipriano precisava decidir se suas terras iriam incluir a vila ‘rebelde’ ou não. O alcaide de Piedade da época, Manoel das Dores, fez uma última tentativa de manter a divisão, mas falhou.

E na virada do século, em 1900, a Vila de Piedade voltou a ser (na verdade, nunca deixou de ser) a Freguesia da Piedade ou, simplesmente, bairro Piedade. Porém, a má fama de ‘rebeldes’ e persona non grata manteve-se e a região sempre foi a menos cuidada pela prefeitura da cidade, sendo considerado um antro de enjeitados.

Felizmente, hoje isso são águas passadas – ou pelo menos é o que dizem oficialmente – e o bairro está, aos poucos, se equiparando com o resto da cidade em qualidade de vida, embora ainda tenha um longo caminho à percorrer.

Mas a história do roubo da relíquia é só mais um dos ‘causos’ desta parte da cidade. Existem vários e eu contarei alguns deles em outros posts.