Fundação da Universidade Pontifícia São Cipriano

Qual a universidade mais antiga do Brasil? Reparem que estou falando ‘universidade’, não ‘faculdade’. A diferença entre as duas é que a primeira é focada em oferecer uma gama ampla (e universal) de cursos superiores, enquanto a segunda tende a ser mais focada em uma área – e até em um único curso. 

Teoricamente, uma universidade também permitiria que alunos tivessem a oportunidade de pegarem aulas fora do seu eixo de ensino, de modo a ampliarem seus horizontes de conhecimento. Se você estuda engenharia em uma faculdade de engenharia, você vai se centrar apenas nisso. Mas se você estudar engenharia em uma universidade, em tese você também teria liberdade para pegar aulas extras em áreas de humanas ou biológicas – mas quase ninguém faz isso, né?

Mas voltando à pergunta do primeiro parágrafo: oficialmente, a universidade mais antiga do Brasil é a Escola Universitária Livre de Manaus, criada em janeiro de 1909. Em julho de 1913, depois de ter instalado cursos de Direito, Medicina e Engenharia, passou a se chamar Universidade de Manaus e hoje pertence à Universidade Federal do Amazonas (UFAM). E digo oficialmente porque há documentação histórica que comprova que a primeira universidade brasileira é a Universidade Pontifícia São Cipriano.

No ano de 1808, com a chegada da família imperial portuguesa ao Brasil, a colônia teve permissão para sair da Idade da Pedra. A imprensa, o comércio amplo e as escolas superiores foram permitidas em solo brasileiro. Embora houvesse tentativas de se criar cursos desde tipo desde 1792, com a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho no Rio de Janeiro, estas eram instituições que ainda careciam de muitas diretrizes básicas para serem classificadas como ensino superior.

Foi por Carta Régia que as primeiras faculdades de medicina e direito foram criadas no solo brasileiro, mas alguns ensaios de instituições do tipo já ocorriam discretamente. Uma delas foi o Ateneu Mártir João, fundado em 1791 em São Cipriano como sendo uma escola de arte e poesia. Alguns livros europeus eram contrabandeados e copiados em antigas máquinas de prensa rudimentares. Mas foi ali que surgiu a semente do que viria a se tornar a universidade que conhecemos hoje.

Em 1819 o Ateneu já possuía cursos de direito, letras, teologia, filosofia, literatura e até um curso de engenharia, que na época era considerado assunto de militares e não de civis, já estava em pleno funcionamento com a ajuda do conhecimento dos livros de John Smeaton e seus pupilos.

Medicina também encontrava-se entre seus cursos, embora fosse disfarçado da maioria das pessoas – já que era um assunto tabu na época, além de ter a necessidade de receber uma autorização especial da coroa para ser exercida – recebendo apenas o nome de ‘Ensino da Cura’. Foi só em 1870 que pode receber a autorização e o nome oficial de ‘Curso de Cirurgia’.

Como pode-se ver, apenas uma década após a chegada da família imperial português ao Brasil, o Ateneu Mártir João já possuía uma amplitude de cursos bastante extensa. E a melhor parte era que mulheres também eram aceitas desde aquela época, tanto como estudantes como professoras.

Infelizmente, os registros que poderiam oficializar a instituição como a universidade mais antiga do país tiveram que ser camuflados. Na época, havia a necessidade de se prestar contas sob absolutamente tudo para a família real, então informações conflituosas sobre a localidade de tais cursos – que não eram permitidos longe das grandes metrópoles – eram necessários para que a guarda real não viesse e simplesmente destruísse todo o trabalho intelectual com um simples decreto.

Foi somente em 1921 que as várias faculdades do Ateneu – que, àquela altura, já tinha se espalhado para diversos prédios por toda a cidade – foram reconhecidas como um centro universitário próprio, recebendo o nome oficial de Universidade Pontifícia São Cipriano. A demora no reconhecimento também se deve devido à burocracia eclesiástica no Brasil que nunca viu com bons olhos os clérigos da cidade.

E esta é a história da fundação da universidade, mas ainda há mais histórias interessantes sobre ela!

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Leila Carol

Leila Carol é Jornalista, formada pela Faculdade de Comunicação e Letras Emílio Romãzeira – pertencente ao grupo de Faculdades Integradas de São Cipriano.

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