No post anterior, falamos sobre a Floresta de Ibijuru, localizada na cidade de São Cipriano. Conhecemos sua lenda mais famosa: a do território maldito e inóspito que foi até a chegada do Frei João de São Cipriano.
Mas ainda há muitas outras lendas desta floresta para serem exploradas. E você verá um apanhado delas aqui.
Cabelobo
Esta criatura híbrida, meio homem e meio tamanduá, é razoavelmente conhecida em todo o território nacional, sobretudo no norte. Porém, em São Cipriano, uma destas criaturas parece vagar na mata de Ibijuru há muito tempo.
Os primeiros relatos sobre a existência deste monstro remontam desde a época da fundação da vila. O cabelobo de São Cipriano era visto vagando pela orla da floresta, sempre de olho para o caso dos humanos se aproximarem demais do seu território. Alguns diziam que seu covil se encontrava próximo da nascente do Rio dos Tombos, embora ninguém saiba precisar direito a localização.
Entretanto, a criatura parecia ter um comportamento mais ‘bairrista’, nunca atacando pessoas que moravam na cidade. Mas viajantes que estavam de passagem pela região relataram ter ouvidos sons estranhos nas proximidades da floresta. E os que foram corajosos (ou tolos) o suficiente para entrar na mata até mesmo afirmam que foram atacadas pela cabelobo durante a noite, apresentando feridas de contusão e cortes de garras que não parecem ter sido causados por nenhum outro animal.
Até hoje, grupos que vão acampar na floresta fazem a famosa ‘caça ao cabelobo’, onde as pessoas procuram por vestígios da criatura, como tufos de pelo de tamanduá. O evento é sempre tratado como uma espécie de diversão e, contanto que você não maltrate a natureza, você está seguro.
Luison
O ‘lobisomem guarani’, como é conhecido, também é outra criatura que já foi avistada em várias partes do território nacional, inclusive em Ibijuru.
Trata-se de uma criatura meio lobo, meio humano, mais especificamente com as feições animalescas semelhantes ao nosso lobo-guará. Animais que, devido à alta taxa de preservação do local, são encontrados em abundância na floresta. E, falando nisso, a caça e domesticação deles é proibida por lei – e São Cipriano tem orgulho de ter uma das leis municipais mais duras contra a caça predatória e comércio ilegal de animais silvestres.
Não é incomum pessoas que se aventuraram na floresta afirmarem terem visto vultos de lobos andando sob as duas patas, soltando uivos que parecem perturbadoramente semelhantes à fala humana, e avistamentos de animais anormalmente grandes para os padrões de um lobo-guará. A saber, eles têm o tamanho de um cão médio.
Crânios encontrados no museu natural da cidade se destacam por serem curiosamente maiores que a maioria dos membros desta espécie – do tamanho de um cão de grande porte, na maioria das vezes! Tanto que muitos acreditam que o que exista uma raça distinta destes animais: o Lobo-Guará de Ibijuru.
Porém, o crânio que mais chamou a atenção foi um encontrado no início do século XX e que se destacava por ser muito grande, além de possuir características estranhamente humanoides, como uma caixa craniana maior para abrigar um cérebro. Por muito tempo, este crânio foi a ‘prova’ de que o Luison existia.
Infelizmente, o crânio foi roubado do museu natural em 1922 e nunca mais foi encontrado.
Tabarana de Calcanhar
Já falamos de duas lendas da floresta que são comuns em outras regiões do Brasil. Agora, chegou a vez de falar de uma lenda que é exclusiva daqui.
No Rio dos Tombos há uma infinidade de peixes de água doce, mas um que adora o trecho de correnteza é a Tabarana. Um peixe prateado de cauda avermelhada que, devido ao desmatamento e poluição dos rios, tem se tornando raro no país. Mas em Ibijuru ele ainda é bem abundante.
Alguns pescadores afirmam já terem visto exemplares um tanto diferentes desta espécie de peixe. Alguns com estranhas protuberâncias nas nadadeiras traseiras, semelhantes à proto-pés, indicando uma mutação evolutiva interrompida. Embora raro, encontrar espécies de peixes e répteis com tais características já foi amplamente documentado na ciência. Mas a incidência deste tipo de mutação em Ibijuru parece maior do que o normal. Todos os peixes que foram encontrados com estas modificações eram saudáveis e deliciosos, entretanto.
Entretanto, foi após o infeliz incidente da Expedição Marco Zero em 1888 (uma história interessante que eu prometo contar mais detalhes num próximo post) que as lendas sobre a bizarrice do tabarana começou a ficar famosa. O grupo registrou terem pescado e comido peixes do rio que possuíam as tais protuberâncias no lugar de barbatanas, mas elas eram anormalmente longas – praticamente pernas!
O relato de uma criatura monstruosa, que parecia um peixe andando fora d’água à beira do rio, também instigou pesquisadores. A expedição não conseguiu capturar tal criatura, mas as ilustrações que o artista do grupo fez revelavam um peixe com pernas e pés com calcanhares rotundos e com uma ponta afiada virada para trás. Embora não fosse hostil, assustava pela bizarrice.
Depois desta data, várias outras pessoas relataram terem visto a Tabarana de Calcanhar andar pela floresta.