No post anterior, nós falamos sobre a razão ‘oficial’ pelo qual os colonos brancos não conseguiram se estabelecer na região da futura cidade de São Cipriano de 1580 em diante. Agora está na hora de falar da lenda sobre a tentativa de criar a primeira vila na região.
Em 1580, durante o massacre da tribo de índios, é dito que o Pajé do grupo teria realizado um último ritual em honra a uma entidade pagã demoníaca que teria amaldiçoado a região. Naquele local, nenhuma comunidade iria prosperar, nem sobreviver.
Quando as primeiras casas começaram a ser construídas, os primeiros problemas já apareceram. Aquela região parecia ter uma umidade fora do normal, tornando o trabalho muito insalubre. Quente como um forno durante o dia e frio como uma geleira durante a noite. Doenças do trato respiratório espalharam-se rapidamente.
O gosto da água do rio que cortava a cidade era relatado pelos colonos como… estranho. Alguns diziam que o motivo era o fato de tantos cadáveres de índios terem sido jogados nas redondezas e que talvez a água mais próximo da fonte estaria pura. Entretanto, alguns diziam que a própria nascente parecia jorra água de má qualidade, algo que não tinha sido notado na época que o local era habitado por índios.
Animais de criação caiam doentes, incapazes de sobreviver ao ambiente hostil, nem ao ataque dos animais selvagens que pareciam enlouquecidos e também doentes. Não havia peixe no rio e as únicas criaturas que pareciam prosperar eram mosquitos e aranhas.
Mesmo assim, a tentativa de se manter o povoado vivo continuava. Padres eram trazidos na esperança de abençoar o local e tirar de lá qualquer presença demoníaca que os índios poderia ter invocado, mas foi tudo em vão.
Uma pequena capela, erguida no marco zero da vila original, pegou fogo após um relâmpago certeiro atingir seu frágil teto de palha após uma forte tempestade. O evento apavorou os moradores, que começaram a abandonar o local – o que insistiram em ficar, morreram doentes ou vítima do ataque de animais.
Quando o local foi abandonado, muitos esperavam que os índios retornassem a habitar aquela região, mas para a surpresa dos colonos nem mesmo os índios queriam voltar para lá. Chamavam a região de Ibijuru – do Tupi: Terra da Tristeza.
Com o passar das décadas, alguns incautos mais corajosos tentavam estabelecer pequenos povoados na região, mas sem sucesso. Ninguém conseguia permanecer no lugar, que parecia ser inóspito até mesmo para animais. cavalos sentiam-se inseguros quando se aproximavam de Ibijuru e estradas foram construídas de modo a contornar o lugar maldito.
Muitas lendas e superstições foram criadas sobre o local: diziam que os fantasmas dos índios massacrados ainda habitavam a floresta, amaldiçoando quem quer que passasse. Avistamentos de criaturas bizarras, uivos e gritos pavorosos vindos do meio da mata, além de odores fétidos que vinham dos fios de água da onde o rio da região desaguava apavoravam as pessoas.
A região só seria redimida no século 18, com a chegada de Frei João de São Cipriano. Uma história que, assim como esta, também tem sua versão ‘oficial’ e sua versão ‘lendária’. E prometo trazer em breve!